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Esta pauta venceu a urna de 23/09.
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A AeroPress de Alan Adler e o campeonato do tubo
O inventor do anel Aerobie lançou o tubo em 2005, e desde 2008 um torneio mundial premia receitas feitas nele.
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O tubo invertido, pronto para a infusão
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Três juízes em pé diante de três copos de café sem identificação. Alguém conta até três, e cada juiz aponta o dedo para o copo que prefere. O competidor que junta mais dedos passa de fase; quem fica sem nenhum recolhe o equipamento e volta para a plateia. O café dos três copos saiu de um tubo de plástico transparente que cabe numa mochila e custa menos que um bom moedor manual. Não há caldeira, bomba ou manômetro na mesa. Há um cilindro, um êmbolo com vedação de borracha, um filtro de papel redondo e uma chaleira. A cena se repete todo ano no World AeroPress Championship, o campeonato mundial de AeroPress, disputado desde 2008. A primeira edição, em Oslo, na Noruega, reuniu três competidores numa cafeteria, como disputa informal entre baristas. Depois vieram seletivas nacionais em vários continentes, e a final passou a juntar um campeão por país. Todos competem com o aparelho idêntico. A diferença entre levantar o troféu e cair na primeira rodada está na receita, que cada competidor escreve e defende sozinho: gramas, temperatura, moagem, tempo de infusão e força na prensa. O tubo foi inventado por Alan Adler, engenheiro americano que dava aulas de projeto de sensores na Universidade Stanford. Antes do café, Adler ficou conhecido pelo Aerobie, um anel voador de borda fina que em 1986 entrou no Guinness como o objeto lançado mais longe por mão humana, sem ajuda de motor. A empresa dele, a Aerobie Inc., fabricava brinquedos esportivos na Califórnia. Adler queria uma xícara só, boa e rápida, sem esperar a cafeteira de filtro encher uma jarra inteira. Lançou a AeroPress em 2005. Os baristas logo perceberam que o aparelho aceitava quase qualquer receita, e a flexibilidade que agradava ao engenheiro virou matéria-prima de campeonato. O tubo responde bem a grão doce e com fruta, que o filtro de papel deixa limpo na xícara. Começamos pelo lote de hoje, com a ficha da lavoura aberta. Continue lendo ↓
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I O Grão do Dia
Um Bourbon Amarelo de Carmo de Minas feito para o tubo
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O grão do dia é um Bourbon Amarelo da Mantiqueira de Minas, colhido em Carmo de Minas, no sul de Minas Gerais, e pontuado em 85 na prova de xícara da SCA (Specialty Coffee Association, a associação internacional de cafés especiais). Lote de sítio familiar, processado como natural.
A Mantiqueira de Minas é região de serra: lavouras entre 900 e 1.500 metros, em encostas íngremes onde máquina de colheita não entra. O frio da montanha atrasa a maturação, e a cereja passa mais semanas no pé acumulando açúcar. Este lote cresce a 1.250 metros.
A ficha do lote, em números:
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A ficha do Bourbon Amarelo de Carmo de Minas
| Variedade | Bourbon Amarelo, porte alto, cereja amarela quando madura |
| Origem | Carmo de Minas, Mantiqueira de Minas, Minas Gerais |
| Altitude de cultivo | 1.250 metros, em encosta de montanha |
| Colheita | manual seletiva, só cereja madura |
| Processo | natural, 20 dias em terreiro suspenso |
| Nota na prova da SCA | 85 pontos |
| Perfil de torra | média clara |
| Faixa de preço do pacote de 250g | R$ 50 a R$ 70 |
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Natural (processo em que a cereja inteira seca ao sol com casca e polpa, e só no fim o grão é separado) é o método mais antigo do café brasileiro. A fruta seca grudada no grão e passa a ele doçura e corpo. O risco é a fermentação passar do ponto, e a cereja é revirada várias vezes por dia para evitá-la.
Terreiro suspenso (estrado de tela erguido do chão, por onde o ar circula por baixo) seca a cereja por igual e afasta a umidade da terra. Os 20 dias de secagem neste lote seguem o ritmo lento da serra, onde a noite fria interrompe a secagem.
O Bourbon chegou ao Brasil no século XIX, trazido da ilha de Bourbon, hoje Reunião, no Oceano Índico. O Bourbon Amarelo é uma mutação natural do Bourbon Vermelho, com a cereja que amadurece amarela. Produz menos que o Catuaí, o que explica por que aparece pouco no café comum e muito no especial.
A escolha do grão tem a ver com o aparelho. A AeroPress mantém pó e água em contato total durante a infusão e depois empurra a bebida por um filtro de papel fino. O papel segura o óleo e a borra fina, e o que chega à xícara é a doçura e a acidez sem a textura de lama.
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Café natural costuma ficar pesado na prensa francesa, que deixa passar óleo e pó fino. No tubo com filtro de papel, o mesmo grão mostra a fruta com a xícara limpa.
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Na folha de prova, o lote tirou 8 em sabor e 7,75 em acidez, notas que na boca aparecem como fruta amarela madura e final de chocolate. A doçura fechou nas cinco tigelas da prova.
Na xícara, um café de corpo médio, acidez de frutas amarelas e doçura de mel. Notas de pêssego, mel e chocolate amargo, no pacote de 250g entre R$ 50 e R$ 70.
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II Como Preparar
A receita invertida em dois minutos e meio
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O preparo de hoje é a AeroPress no método invertido: 15 gramas de café, 220 mililitros de água a 85 graus, moagem média fina, um minuto e meio de infusão e 30 segundos de prensa.
Invertido quer dizer tubo de cabeça para baixo, apoiado sobre o êmbolo, com a abertura voltada para cima. Na posição normal, parte da água pinga pelo filtro antes da hora e a infusão fica desigual. De ponta-cabeça, nada escapa enquanto o café descansa, e a bebida só desce quando você vira o tubo sobre a caneca.
A ficha do preparo:
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A ficha da AeroPress invertida
| Café | 15g, moído na hora |
| Água | 220ml, filtrada, a 85 graus |
| Proporção | cerca de 1 para 15, em peso |
| Moagem | média fina, entre a do coador e a da moka |
| Método | AeroPress invertida, filtro de papel |
| Tempo | 1min30 de infusão, 30 segundos de prensa |
| Rendimento | 1 caneca de cerca de 200ml |
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| 1 Encaixe o êmbolo na base do tubo, só o suficiente para vedar, e apoie o conjunto de cabeça para baixo na balança. |
| 2 Coloque o filtro de papel na tampa e molhe com água quente, para tirar o gosto de papel e aquecer a peça. |
| 3 Despeje os 15g de café no tubo e zere a balança. |
| 4 Adicione os 220ml de água a 85 graus em 10 segundos, molhando todo o pó, e dispare o cronômetro. |
| 5 Mexa com a pá três vezes, rosqueie a tampa com o filtro e espere até completar 1min30. |
| 6 Vire o tubo com firmeza sobre a caneca, num movimento só, e aperte o êmbolo devagar por 30 segundos. |
| 7 Pare quando ouvir o chiado do ar passando pelo pó, sem forçar o último centímetro. |
A água abaixo da fervura faz diferença com grão natural. Ela extrai menos os compostos amargos da torra e deixa a fruta aparecer. A moagem mais fina compensa a temperatura menor, porque o pó miúdo entrega o sabor mais rápido.
O chiado do fim é um aviso. O ar que atravessa a bolacha de pó arrasta o resíduo mais amargo e seco da extração. Parar no chiado deixa esse final no tubo, e ele vai para o lixo com o pó compactado.
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Aperte o êmbolo com o peso do braço, sem pressa. Se ele travar, a moagem está fina demais; se descer sem resistência, está grossa demais.
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A pressão da prensa manual é baixa, muito abaixo dos 9 bar (unidade de pressão, perto de nove vezes a do ar ao nível do mar) de uma máquina de espresso. Com pressão tão baixa, a AeroPress não faz espresso, embora a receita concentrada, diluída depois com água quente, chegue a lembrar um café de balcão.
A limpeza leva segundos. Tire a tampa, empurre o êmbolo até a borda e a bolacha de pó cai inteira no lixo. A borracha do êmbolo raspa as paredes pelo caminho.
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