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67% escolheram Arábica em 2050. Aqui está.
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O mapa do arábica encolhe pela metade até 2050
Christian Bunn e colegas do CIAT projetaram em 2015, na revista Climatic Change, a perda de cerca de metade da área apta ao arábica até 2050.
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Lavoura de arábica na encosta alta da Mantiqueira
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Em 2015, o agrônomo Christian Bunn e três colegas do Centro Internacional de Agricultura Tropical, o CIAT, publicaram na revista Climatic Change o trabalho A bitter cup: climate change profile of global production of Arabica and Robusta coffee, e a conta central do artigo é dura: cerca de metade da área hoje apta ao arábica no mundo deixa de ser apta até 2050, no cenário de emissões que os autores adotaram. O arábica trabalha numa janela estreita. A espécie entrega bebida limpa com média anual entre 18 e 22 graus, e sofre quando a média sobe: a maturação da cereja acelera, o acúmulo de açúcar encurta e a planta gasta em respiração o que viraria doçura. Bunn e os coautores cruzaram o mapa das lavouras existentes com projeções de modelos climáticos globais e perguntaram, célula por célula, se a temperatura e a chuva de 2050 ainda cabem na janela da espécie. O robusta, mais tolerante ao calor, sai do exercício em situação melhor que o arábica, e ganha terreno onde o arábica perde. No recorte brasileiro, o mapa não some, ele sobe. As faixas mais baixas e quentes do Cerrado Mineiro e do norte de São Paulo aparecem entre as primeiras a perder aptidão, enquanto as encostas altas da Serra da Mantiqueira e trechos do sul de Minas seguem dentro da janela no horizonte projetado. Altitude deixa de ser detalhe de rótulo e vira o dado que decide onde o arábica continua existindo. Para quem compra café torrado num sábado, a leitura prática é simples. O número da altitude impresso no pacote, hoje lido como enfeite de marketing, é o dado que mais diz sobre o futuro daquele lote. Começamos pelo lote do dia, um Catuaí Vermelho 144 colhido a 1.400 metros na Mantiqueira mineira, exatamente na faixa de altitude que o mapa de Bunn deixa de fora do prejuízo, com ficha de lavoura, perfil de torra e preço de pacote. Continue lendo ↓
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I O Grão do Dia
Catuaí Vermelho 144 colhido a 1.400 metros
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O grão do dia é um Catuaí Vermelho 144 da Fazenda Água Limpa, na Serra da Mantiqueira mineira, entre Carmo de Minas e Cristina. Lote de talhão único, sem blenda com Mundo Novo.
A Mantiqueira de Minas ocupa o sul do estado, em encostas íngremes de solo argiloso, com noites frias o ano inteiro. A lavoura deste lote fica entre 1.320 e 1.450 metros, altitude que estende a maturação da cereja por várias semanas a mais que a lavoura de várzea.
A ficha do lote, em números:
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A ficha do Catuaí Vermelho da Água Limpa
| Variedade | Catuaí Vermelho 144, porte baixo e cereja vermelha quando madura |
| Origem | Fazenda Água Limpa, Serra da Mantiqueira, Minas Gerais |
| Altitude de cultivo | 1.320 a 1.450 metros, em solo argiloso de encosta |
| Colheita | manual, a dedo, em duas passadas, com separação do verde na segunda |
| Processo | cereja descascada, com 12 dias entre terreiro e secador mecânico |
| Perfil de torra | 11 minutos no total, com descarga 90 segundos depois do primeiro estalo |
| Faixa de preço do pacote de 250g | R$ 55 a R$ 85 |
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Cereja descascada quer dizer que a casca saiu no descascador logo depois da colheita e a mucilagem, a camada de polpa pegajosa colada no pergaminho, ficou no grão durante a secagem. O açúcar da mucilagem entra na bebida sem o peso fermentado que o processo natural deixa, e o resultado sai doce com acidez ainda de pé.
Colher a dedo em duas passadas custa caro e resolve um problema de qualidade. A encosta alta amadurece desigual, e o colhedor volta ao mesmo pé para tirar o que ficou verde na primeira rodada.
O Catuaí Vermelho é linhagem antiga do Instituto Agronômico de Campinas, de porte baixo, o que facilita a colheita manual em encosta. A bebida dele na Mantiqueira puxa para o caramelo, com acidez cítrica de tangerina que a altitude preserva e a lavoura quente costuma perder.
A torra média com descarga 90 segundos depois do primeiro estalo tem motivo de método. A torra clara demais empurra a acidez da altitude para o azedo cru, e a escura queima o caramelo que a maturação longa construiu. O ponto médio deixa açúcar caramelizado e fruta cítrica no mesmo gole.
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Altitude não é enfeite de rótulo, é o intervalo de temperatura em que a cereja consegue amadurecer devagar. Cada 100 metros de encosta a mais valem cerca de meio grau a menos na média do ano, e meio grau decide se o açúcar entra no grão ou se perde na respiração da planta.
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Na xícara, um café de corpo médio, doçura de caramelo e final limpo. Notas de caramelo, tangerina e amêndoa, no pacote de 250g entre R$ 55 e R$ 85.
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II Como Preparar
V60 a 94 graus, 22 gramas para 360 mililitros
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O preparo deste grão é o coador cônico V60, moagem média, proporção de 1 para 16 e água a 94 graus, num tempo total de 3 minutos entre a primeira gota e a última.
A temperatura alta resolve o ponto fraco do lote de altitude. Grão denso de encosta fria cede açúcar devagar, e água abaixo de 90 graus deixa a bebida rala, com a acidez cítrica sozinha na boca, sem o caramelo que a sustenta.
A ficha do preparo:
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A ficha do V60 a 94 graus
| Café | 22g |
| Água | 360ml, filtrada, a 94 graus |
| Proporção | 1 para 16, em peso |
| Moagem | média, textura de areia grossa de praia |
| Método | V60 com filtro de papel, em três despejos |
| Tempo | 3 minutos no total, com 40 segundos de pré-infusão |
| Rendimento | cerca de 300ml na xícara, servido puro |
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| 1 Escalde o filtro de papel com água fervente, despeje a água do escaldo fora e coloque os 22g de café moído na hora. |
| 2 Despeje 50ml de água a 94 graus em espiral, do centro para fora, e espere 40 segundos de pré-infusão, tempo em que o gás carbônico da torra escapa e a cama de pó estufa. |
| 3 Despeje mais 150ml em espiral lenta, sem encostar o jato na parede do filtro, e espere o nível baixar até quase expor a cama. |
| 4 Complete com os 160ml restantes em dois movimentos curtos e dê uma chacoalhada leve no coador para nivelar a cama de pó. |
| 5 Retire o coador assim que a última gota passar, por volta dos 3 minutos, e sirva sem esperar a xícara esfriar no bico. |
Os 40 segundos de pré-infusão têm função precisa. A torra de 11 minutos deixa gás carbônico preso no grão, e o gás empurra a água para longe do pó no despejo contínuo, o que rouba doçura da primeira metade da xícara.
A moagem média mantém o tempo de passagem dentro dos 3 minutos. Pó fino trava a cama e estica a extração além de 4 minutos, e o gole chega amargo, com a língua secando na lateral.
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Meça a água com balança, nunca com o olho na jarra. Dez mililitros a mais numa receita de 360 empurram a proporção para 1 para 16,5 e tiram do gole justamente o caramelo que a altitude construiu na lavoura.
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O resultado esperado é uma bebida marrom clara e translúcida, com cheiro de caramelo quente e tangerina no bico do coador. Na boca, acidez cítrica na frente, doçura no meio e final seco de amêndoa.
O grão torrado dura cerca de 30 dias em pacote com válvula, contados da torra impressa no rótulo. Passado o prazo, a acidez cítrica some primeiro e sobra um café doce e plano. Se a xícara sair azeda mesmo com os 3 minutos cumpridos, meça a temperatura da água antes de mexer no despejo.
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