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O grão do dia é um Castillo lavado colhido nas encostas do cânion do Juanambú, em Nariño, o departamento mais ao sul da Colômbia, colado na fronteira com o Equador.
O Juanambú é um rio encaixado no fundo de um vale, a caminho do Patía. As lavouras ocupam as duas paredes do cânion, em faixas estreitas entre a mata e o precipício.
A faixa de plantio vai de 1.800 a 2.100 metros. Nariño tem café acima dos 2.000 em vários municípios, altitude que quase todo o resto do mundo trataria como alta demais.
A produção é miúda. A propriedade média do departamento não chega a um hectare de café, a colheita sai da própria família e a safra é contada em sacas, não em caminhão.
A inclinação define o resto. Boa parte do cafezal está em terreno de 40% a 60% de declive, onde não entra trator nem mula, e cada saco desce apoiado nas costas até a estrada de terra.
O varietal é o Castillo, criado pelo Cenicafé e entregue aos produtores em 2005. Cruzamento de Caturra com Híbrido de Timor, resistente à ferrugem e com fama antiga de grão comum na xícara.
Em altitude alta a fama não se sustenta. O mesmo Castillo que entrega bebida sem graça a 1.200 metros vira café doce e cítrico a 2.000, desde que a colheita separe cereja madura de fruto verde.
A colheita é seletiva, feita a dedo em várias passadas na mesma planta. Na ladeira íngreme cada passada custa uma subida inteira, e é o que mais encarece o lote.
O processo é lavado. A cereja vai para o despolpador no mesmo dia em que sai do pé, e o grão segue com a mucilagem grudada para um tanque de fermentação.
No frio da altitude a fermentação anda devagar: de 18 a 30 horas, contra as 12 a 18 de uma região quente. Depois o café é lavado em água corrente até sair limpo.
A secagem é em marquesina, o secador solar colombiano. Estrutura de madeira coberta com plástico transparente, o café espalhado em camada fina lá dentro, revolvido várias vezes ao dia, de 8 a 15 dias, até a umidade cair para perto de 11%.
Marquesina não é luxo, é necessidade. Chove demais em Nariño para secar café em terreiro aberto, e o plástico deixa o sol entrar e a chuva de fora.
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Castillo lavado do cânion do Juanambú, colhido a dedo entre 1.800 e 2.100 metros: fermentação longa no frio e marquesina no lugar do terreiro.
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Na xícara, o Castillo de Nariño abre em tangerina, passa por rapadura no meio de boca e fecha num fundo de chocolate ao leite. Faixa de preço dos 250g em torrador nacional, com data de torra na etiqueta: R$ 90 a R$ 140.
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