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O grão do dia é um Catuaí Amarelo do Cerrado Mineiro, região delimitada de 55 municípios no oeste e no alto Paranaíba de Minas, com lavoura entre 900 e 1.100 metros de altitude.
O relevo ali é chapadão, plano de enxergar longe. Latossolo profundo e ácido, corrigido com calcário há décadas, e talhão largo o bastante pra colhedora atravessar a rua sem manobra.
O calendário é o que separa a região do resto. A chuva se concentra de outubro a março e some quase por completo de maio a setembro, justo quando a cereja está madura no pé.
Colheita em tempo seco muda o que dá pra fazer no terreiro. Onde chove na safra, café espalhado com a fruta inteira toma água e azeda; no chapadão sobram meses de sol firme.
O varietal é o Catuaí Amarelo, criado no Instituto Agronômico de Campinas do cruzamento entre Caturra Amarelo e Mundo Novo. Porte baixo, pé produtivo e cereja que amadurece do verde pro amarelo vivo, sem passar pelo vermelho.
É a variedade mais plantada do Brasil, e nada nela é raro. A graça do lote de hoje não está na planta, está no que houve com a fruta depois do galho.
A colheita foi de um dia só, com o talhão no ponto e a maior parte da rua em cereja. Meia tonelada de fruta desceu pro terreiro e foi pesada logo na chegada.
Ali o lote virou dois. Duzentos e cinquenta quilos de cereja pra cada lado, mesma balança, mesma data, e daí em diante dois caminhos que não se encontram mais.
A primeira metade foi despolpada no mesmo dia. A máquina descasca a cereja e empurra o grão com a mucilagem grudada pra um tanque, onde ele fermenta submerso por 16 horas até a camada soltar.
Depois vem a lavagem, o passo que dá nome ao processo. Água corrente até o grão sair sem nada grudado, e daí pro terreiro suspenso, onde seca em oito dias até 11% de umidade.
A segunda metade não passou por máquina nenhuma. A cereja inteira foi espalhada em camada fina no terreiro, revolvida com rodo várias vezes ao dia e coberta com lona à noite contra o orvalho.
Fruta inteira seca devagar. Foram de 18 a 22 dias até a mesma umidade de 11%, com a casca murchando em volta da semente até virar uma passa dura e escura.
Do beneficiamento em diante os dois lotes voltaram a andar juntos: 30 dias em pergaminho na tulha, mesma peneira e a mesma torra média parada pouco depois do primeiro estalo.
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Um talhão, uma colheita, dois terreiros: o mesmo Catuaí Amarelo saiu da secagem com dois nomes no rótulo.
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Na xícara, a metade lavada chega com notas de laranja-baía, caramelo claro e amêndoa, de corpo leve e acidez viva. A metade natural chega com notas de morango, chocolate ao leite e rapadura, de corpo denso e acidez baixa. Faixa de preço dos 250g de cada uma, em torrador nacional com data de torra na etiqueta: R$ 55 a R$ 85.
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