A resposta de ontem Quem, no Cairo, mandou reabrir as casas de café de Meca? Foi o sultão mameluco Qansuh al-Ghawri, senhor do Egito e de Meca. Os juristas do Cairo se recusaram a condenar a bebida, e o sultão mandou suspender o veto, deixando de pé só a punição a quem fizesse desordem. O relato está no tratado de al-Jaziri, de 1587, e na leitura de Ralph Hattox, em Coffee and Coffeehouses, de 1985. |
O grão do dia é um Catuaí Vermelho do Cerrado Mineiro, cultivado perto de 1.100 metros, seco como natural (o fruto inteiro seca ao sol, com casca e polpa, antes de ir para o descascador) e levado à torra média.
O Catuaí é brasileiro. Nasceu no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), do cruzamento entre o Mundo Novo e o Caturra, e foi liberado para plantio nos anos 1970. A planta é baixa, o que facilita a colheita, e aguenta bem o vento das chapadas.
O Cerrado Mineiro foi a primeira região de café do Brasil a receber Denominação de Origem (o selo que liga a qualidade do produto ao lugar onde ele nasce), concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2013.
A região tem estações bem marcadas. Chove no verão e seca no inverno, e a colheita cai justamente no tempo seco. O café pode secar no terreiro sem mofo, e o processo natural rende doçura sem o risco de fermentação descontrolada.
Na xícara, o grão tem corpo médio e acidez baixa, com notas de chocolate, castanha e laranja. Para o espresso, o perfil ajuda: a acidez discreta não fica agressiva quando a extração se concentra em poucos gramas de bebida.
A ficha do grão:
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A ficha do Catuaí Vermelho
| Variedade | Catuaí Vermelho |
| Região | Cerrado Mineiro (MG) |
| Altitude | cerca de 1.100 metros |
| Processo | natural |
| Torra | média |
| Notas | chocolate, castanha, laranja |
| Pacote de 250g | R$ 40 a R$ 75 |
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A torra média é a escolha certa para a receita do dia. Uma torra escura demais fica quebradiça e solta muito pó fino no moedor, justamente o pó que entope o bolo. Uma torra clara demais pede moagem fina para render, e volta ao problema que o artigo da Matter apontou.
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No espresso, o pó grosso e bem distribuído rende mais do que o pó fino mal arrumado.
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O tamanho do pacote também conta. Com 15 gramas por dose em vez de 20, um pacote de 250 gramas rende 16 doses em vez de 12, e o grão acaba antes de envelhecer.
Na compra, olhe a data da torra. Para espresso, o grão funciona melhor entre 10 e 30 dias depois dela, quando o gás carbônico já baixou o bastante para não abrir bolhas no bolo.
A moagem pedida é um ponto mais grossa do que a costumeira do seu moedor para espresso. A seção seguinte mostra como achar esse ponto pelo relógio e pela balança.
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A receita do dia aplica a ideia do artigo numa máquina doméstica: menos pó, moagem um pouco mais grossa e uma balança embaixo da xícara. São 15 gramas de café para cerca de 36 gramas de bebida, na proporção de 1 para 2,4.
A balança é a peça central. Medir a dose pelo volume da xícara engana, porque a crema (a espuma dourada por cima do espresso) ocupa espaço e muda de tamanho conforme a idade do grão. O peso não muda.
A ficha do preparo:
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A ficha do preparo
| Café | 15g, moagem média fina |
| Bebida | cerca de 36g |
| Proporção | 1 para 2,4 |
| Temperatura | 93 graus |
| Tempo | 20 a 28 segundos |
| Cesta | dupla |
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1 Ligue a máquina e deixe aquecer por 20 minutos, com o porta-filtro encaixado.
2 Moa 15g de café um ponto mais grosso do que o seu ajuste de costume.
3 Distribua o pó com leves batidas laterais até a superfície ficar plana.
4 Compacte com força firme e reta, uma vez só, sem girar o compactador.
5 Encaixe o porta-filtro, ponha a xícara sobre a balança e zere.
6 Acione a extração e pare quando a balança marcar 36g.
7 Anote o tempo e prove antes de mexer em qualquer ajuste.
O passo 3 é o mais esquecido. Pó amontoado de um lado vira bolo mais denso de um lado e mais frouxo do outro, e a água corre pelo lado frouxo. A distribuição faz o trabalho que o pó grosso começou.
O passo 7 transforma a receita em método. Mude uma variável por vez, a moagem primeiro, e repita a dose com o mesmo peso. Duas doses com o mesmo ajuste devem sair com tempos próximos, a poucos segundos de diferença.
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Dose repetível é a dose em que o tempo e o gosto voltam iguais no dia seguinte.
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Se a dose correr em menos de 18 segundos e sair azeda, moa um ponto mais fino. Se passar de 32 segundos e sair amarga, moa um ponto mais grosso, mesmo que o instinto mande apertar.
Sem máquina de espresso, a cafeteira italiana aceita a mesma lógica. Encha o funil sem compactar, use moagem média, e o pó solto deixa o vapor passar por igual, sem trilha preferida.
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