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{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
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✦ Fábio Lopes · VIP de setembro sugeriu esta pauta na urna de 30/09.
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A gota de café que seca mais escura na borda
A água evapora mais depressa na beirada, e a corrente que repõe a perda arrasta o pó do centro para o anel.
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Gota de café seca com o anel na borda
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Em 1997, o físico Robert Deegan e 5 colegas da Universidade de Chicago publicaram na revista Nature a causa da mancha de café em anel: a borda da gota evapora mais depressa que o centro, e o líquido que corre para repor a perda leva o pó junto. A mancha seca escura na beirada porque quase todo o café dissolvido viaja até lá antes de a água acabar. A pergunta parecia pequena demais para uma revista científica. Qualquer pessoa que já deixou a xícara pingar na mesa conhece o desenho: um círculo de contorno marrom forte e o miolo quase limpo, como se alguém tivesse passado um pincel só na borda. A explicação comum antes do artigo falava em gravidade, em diferença de temperatura ou em pó que afunda de um lado. A equipe de Deegan testou e descartou cada uma. O anel aparecia em gotas de água com partículas de plástico, de tinta e de café, em superfícies frias e mornas, sempre do mesmo jeito. O segredo está na beirada presa. Quando a gota encosta na mesa, a borda gruda num ponto e não recua enquanto seca. A gota perde altura e fica mais achatada, mas o contorno continua no mesmo lugar. Na borda fina, a água escapa para o ar mais depressa do que no centro alto. Para a beirada não secar antes do resto, o líquido do meio escorre para fora sem parar. Essa corrente carrega as partículas de café, e elas se amontoam no contorno até a última gota de água sair. Os autores deram ao fenômeno o nome que ficou: efeito anel de café (em inglês, coffee ring effect). O artigo virou um dos mais citados da física de fluidos, e a regra vale para tinta de impressora, esmalte e gota de sangue. O mesmo anel aparece dentro da xícara, na linha onde o café parou, e no topo do filtro de papel depois do preparo. O grão escolhido para esta manhã tem cor e corpo para deixar o desenho bem marcado. Continue lendo ↓
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I O Grão do Dia
Um Bourbon que tinge a porcelana
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O grão do dia é um Bourbon Amarelo da Alta Mogiana, região de serra na divisa de São Paulo com Minas Gerais, cultivado a 1.000 metros de altitude. O Bourbon Amarelo é uma variedade antiga de fruto que amadurece amarelo, e não vermelho, e costuma dar xícaras doces.
A colheita foi seletiva, só com os frutos maduros. O processo é o cereja descascado (o fruto perde a casca logo depois da colheita e seca com parte da polpa grudada no grão). A polpa que fica ali empresta açúcar ao grão durante a secagem.
O resultado é um café de corpo redondo, com bastante sólido dissolvido na xícara. Sólido dissolvido, no vocabulário do barista, é tudo que sai do pó e fica na água: açúcar, ácido, óleo leve e as partículas que dão cor.
Quanto mais sólido dissolvido, mais escuro o anel quando uma gota seca. Um chá fraco quase não deixa marca; um café encorpado deixa o contorno marrom bem definido. A mancha na mesa vira, sem querer, um retrato da extração.
A ficha do lote, em números:
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A ficha do Bourbon Amarelo
| Variedade | Bourbon Amarelo |
| Origem | Alta Mogiana |
| Altitude de cultivo | 1.000 metros |
| Colheita | seletiva, só frutos maduros |
| Processo | cereja descascado |
| Perfil de torra | média |
| Notas | chocolate ao leite, caramelo e avelã |
| Faixa de preço do pacote de 250g | R$ 50 a R$ 70 |
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A torra média tem papel no desenho da mancha. Numa torra muito escura, o grão solta mais óleo, e o óleo forma uma película que espalha a gota e borra o contorno. No Bourbon de torra média, o anel sai fino e nítido.
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A mancha que a xícara deixa na mesa mostra quanto do grão foi parar na água.
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Na xícara, corpo médio para alto, acidez baixa e doçura de caramelo. Notas de chocolate ao leite, caramelo e avelã, com final longo. A doçura aparece logo no primeiro gole, sem açúcar, e cresce quando o café esfria um pouco.
O perfil serve bem a quem gosta de café com leite também. O chocolate do grão segura o leite sem sumir, e o corpo alto não deixa a bebida aguada.
Guarde o pacote fechado, longe da luz e do calor do fogão, e use o grão nas 4 semanas seguintes à data de torra impressa. Depois desse prazo, o aroma de caramelo é o primeiro a enfraquecer.
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II Como Preparar
O coador que guarda o anel no papel
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O preparo escolhido é o coador de papel comum, o filtro tamanho 102 que se acha em qualquer mercado: 18 gramas de café, 300 mililitros de água a 94 graus e moagem média.
O coador de papel conversa com o tema por um detalhe que pouca gente olha. Depois do preparo, o filtro seca com uma faixa marrom mais escura no topo, na linha onde a água parou de subir. É o mesmo efeito da gota na mesa: a água evapora pela borda do pó molhado e deixa ali o que carregava.
A ficha do preparo:
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A ficha do preparo
| Café | 18g, moído na hora |
| Água | 300ml, filtrada, a 94 graus |
| Proporção | 1 para 16,7, em peso |
| Moagem | média, parecida com sal grosso peneirado |
| Método | coador com filtro de papel 102 |
| Tempo total | cerca de 4 minutos |
| Rendimento | 2 xícaras de cerca de 130ml |
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| 1 Ferva a água e deixe descansar 20 segundos fora do fogo para chegar perto dos 94 graus. |
| 2 Encaixe o filtro no suporte, molhe com água quente e descarte essa água. |
| 3 Coloque os 18g de café e despeje 40ml de água, só para molhar o pó por inteiro. |
| 4 Espere 30 segundos, até o pó parar de estufar. |
| 5 Despeje o resto da água em 3 levas, em círculos, sem molhar a parede do papel acima do pó. |
| 6 Retire o filtro quando a última gota cair e sirva logo. |
O passo 5 tem motivo. Água jogada direto na parede do papel desce por fora do pó sem extrair nada, e a bebida sai rala. Mantendo o jato no centro, toda a água atravessa o café.
O anel aparece de novo na hora de lavar a louça. A linha marrom que fica dentro da xícara, na altura em que o café parou, gruda mais quanto mais tempo a xícara passa suja. Enxaguar logo depois do último gole evita a crosta, porque o anel ainda não secou.
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O anel no topo do filtro é a mesma física da mancha na mesa, só que em papel.
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Se a bebida sair rala, aperte a moagem um ponto. Se sair amarga, deixe a moagem um pouco mais grossa ou baixe a água para 92 graus. Com o Bourbon de torra média, a receita acima já entrega a doçura sem ajuste.
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