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Esta pauta venceu a urna de 25/09.
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A escala Agtron e os oito discos da cor da torra
Um feixe de infravermelho dá um número a cada torra, e oito discos da SCA dizem se ela é clara, média ou escura.
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Oito discos, do claro ao muito escuro
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Numa sala de controle de qualidade, um torrefador despeja uma colherada de café moído num pratinho raso, alisa a superfície com uma espátula e fecha a tampa de um aparelho do tamanho de uma torradeira. Poucos segundos depois, o visor mostra um número: 63. Esse número decide se o lote segue para a embalagem ou volta para a mesa de prova. O aparelho é um espectrofotômetro Agtron (instrumento que mede quanta luz uma superfície devolve), fabricado pela Agtron Inc., empresa de Reno, no estado americano de Nevada. A luz que ele usa fica fora do alcance do olho. O Agtron ilumina a amostra com infravermelho próximo, faixa logo depois do vermelho no espectro, e lê quanto dela volta ao sensor. Grão claro devolve muita luz e ganha nota alta; grão escuro absorve quase tudo e ganha nota baixa. A escala nasceu para resolver uma briga de vocabulário. Torra média numa torrefação de Seattle podia sair escura numa casa de Nápoles, e rótulos como torra cidade, vienense ou francesa mudavam de cor conforme quem falava. O comprador não tinha como saber o que vinha no saco. Em 1995, a então SCAA (Specialty Coffee Association of America, hoje parte da SCA) lançou com a Agtron um estojo de oito discos coloridos, numerados de 25 a 95, de dez em dez. O trabalho foi conduzido por Carl Staub, especialista em medição de cor ligado à empresa, que calibrou cada disco contra leituras do aparelho. Com os discos, um torrefador sem o espectrofotômetro, que custa milhares de dólares, compara o pó com a cor pintada e diz em que faixa está. Número alto é torra clara. Número baixo é torra escura. A conversa entre produtor, torrefador e barista ganhou um idioma comum. A cor, porém, conta só parte da história. Dois cafés no mesmo disco podem ter gosto bem diferente, e a diferença entre a leitura do grão inteiro e a do pó revela o que aconteceu dentro dele no torrador. O lote de hoje foi tirado na faixa central da escala, onde a fruta e o açúcar ainda dividem a xícara. Começamos por ele. Continue lendo ↓
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I O Grão do Dia
Um Bourbon Amarelo da Mantiqueira no disco 65
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O grão do dia é um Bourbon Amarelo de Carmo de Minas, na Serra da Mantiqueira, sul de Minas Gerais, cultivado a 1.250 metros e pontuado em 85 na prova de xícara da SCA (Specialty Coffee Association, a associação internacional de cafés especiais). Secou como natural, com a cereja inteira ao sol.
Carmo de Minas aparece com frequência entre os vencedores do Cup of Excellence (Taça de Excelência, concurso internacional que premia lotes brasileiros por prova cega). A serra junta altitude, noites frias e névoa de manhã, e a cereja amadurece devagar.
A ficha do lote, em números:
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A ficha do Catuaí Amarelo de Piatã
A ficha do Bourbon Amarelo de Carmo de Minas
| Variedade | Bourbon Amarelo, cereja amarela quando madura |
| Origem | Carmo de Minas, Serra da Mantiqueira, Minas Gerais |
| Altitude de cultivo | 1.250 metros |
| Colheita | manual seletiva, só cereja madura |
| Processo | natural, 20 dias em terreiro suspenso |
| Nota na prova da SCA | 85 pontos |
| Perfil de torra | média clara, disco 65 da escala Agtron |
| Faixa de preço do pacote de 250g | R$ 60 a R$ 80 |
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O Bourbon Amarelo é uma mutação natural do Bourbon, variedade levada pelos franceses à ilha de Bourbon, hoje Reunião, no oceano Índico. Em vez de vermelha, a cereja madura fica amarela. A planta é alta, produz menos que as variedades modernas e costuma dar xícara doce.
No processo natural (a cereja seca inteira, com casca e polpa, antes de o grão ser separado), o grão passa semanas em contato com a fruta. Chega ao torrador com açúcar de sobra e perfume de fruta madura, e pede cuidado na hora de escolher a cor final.
O disco 65, na tabela da SCAA de 1995, recebe a classificação de torra média clara. Acima dele ficam o 75 (moderadamente clara), o 85 (clara) e o 95 (muito clara). Abaixo vêm o 55 (média), o 45 (moderadamente escura), o 35 (escura) e o 25 (muito escura).
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O número da Agtron diz quanto a torra escureceu o grão. Neste lote, parar no 65 foi a escolha que guardou o pêssego na xícara.
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Mais escuro, o açúcar do natural caramelizaria além do ponto e o amargor da torra cobriria a fruta. Mais claro, sobraria acidez crua e um gosto de cereal que lembra amendoim sem torrar.
Na xícara, um café de corpo médio, acidez de maçã amarela e doçura de mel. Notas de mel, pêssego e chocolate ao leite, no pacote de 250g entre R$ 60 e R$ 80.
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II Como Preparar
Um Kalita Wave com a água ajustada à cor
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O preparo de hoje é o Kalita Wave, coador de fundo chato com três furos, criado pela japonesa Kalita: 16 gramas de café, 260 mililitros de água a 92 graus, moagem média e três minutos e meio do primeiro jato à última gota.
O fundo chato espalha a água por igual sobre a cama de pó e deixa o fluxo mais estável que no coador cônico. Para quem quer sentir a torra que o torrefador escolheu, sem a mão do barista mudar muito o resultado, é um método tolerante.
A ficha do preparo:
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A ficha do Catuaí Amarelo de Piatã
A ficha do Kalita Wave
| Café | 16g, moído na hora |
| Água | 260ml, filtrada, a 92 graus |
| Proporção | cerca de 1 para 16, em peso |
| Moagem | média, parecida com sal grosso fino |
| Método | Kalita Wave, filtro de papel ondulado |
| Tempo | 3 minutos e meio no total |
| Rendimento | 1 caneca de cerca de 230ml |
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| 1 Moa o café na hora e compare a cor do pó com a do grão inteiro. |
| 2 Encaixe o filtro ondulado, molhe com água quente e descarte a água da caneca. |
| 3 Despeje o pó, nivele com uma batida leve e zere a balança. |
| 4 Jogue 50ml de água, molhando todo o pó, e espere 40 segundos. |
| 5 Complete até 160ml em círculos pequenos, sem encostar no papel. |
| 6 Com a água baixando, complete até 260ml e deixe escorrer. |
A temperatura da água acompanha a cor da torra. Torra clara é mais densa e solta o açúcar com mais dificuldade e pede água perto da fervura. Torra escura já saiu do torrador porosa e quebradiça, e extrai rápido; com água muito quente, fica amarga.
Para o disco 65 deste lote, 92 graus é o ponto de partida. Se a xícara sair azeda e curta, suba para 94. Se sair amarga e seca na língua, desça para 90 ou afine menos a moagem.
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A cor da torra também é a primeira instrução de preparo: quanto mais clara, mais calor e mais tempo o pó pede.
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O passo 1 serve de exercício de olho. O pó recém-moído deste lote sai um pouco mais claro que a superfície do grão, porque o calor do torrador escurece a parte de fora antes da de dentro. A seção seguinte explica por que essa diferença interessa.
O filtro ondulado do Kalita encosta pouco na parede do coador, e a água desce pelo pó em vez de escapar pelas laterais. O corpo fica limpo, e a doçura de mel aparece logo no primeiro gole.
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