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{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
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19ª pauta escolhida pelos leitores na urna de 03/10: Cafeteira de sifão. Sai em 09/10.
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O extraforte do supermercado e o grão ruim que ele esconde
A torra muito escura queima o açúcar até o óleo brotar no grão, e o amargo que sobra cobre o preto, o verde e o ardido.
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Torra quase preta e torra cor de canela
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Em 1999, Paulo Mazzafera, da Unicamp, publicou na revista Food Chemistry a análise química de grãos de café defeituosos: os pretos, verdes e ardidos tinham composição diferente da dos grãos sadios, com menos açúcar e outro perfil de ácidos. A diferença vai parar no gosto, e uma torra bem escura deixa o defeito quase invisível no pacote. O grão preto é o fruto que caiu no chão ou fermentou demais e secou estragado. O verde foi colhido antes de amadurecer. O ardido (grão de cor marrom-avermelhada que passou do ponto de fermentação) carrega um azedo de vinagre. A indústria brasileira chama o trio de PVA, sigla de preto, verde e ardido. Os 3 nascem do mesmo jeito de colher. Na derriça (arrancar todos os frutos do galho de uma vez), o maduro cai junto com o verde e com o seco. Se o lote não passa por uma boa separação, o defeito segue até a torrefação. Ali ele tem 2 destinos. Numa torra média, o grão ruim aparece na xícara como gosto de terra, de palha crua ou de remédio. Numa torra muito escura, ele some debaixo de um amargo grosso, o mesmo amargo que o pacote vende com a palavra extraforte. A pergunta chegou pelo banco do leitor. Na rodada de tema livre, 12 comentários falaram de torra e de data de torra na hora da compra. Um deles resumia o incômodo de quase todos: o leitor contou que vinha bebendo cafés apagados havia tempos, sem doçura e sem nada para lembrar depois do gole. Café apagado quase sempre tem uma causa visível antes da xícara. Ela está na cor do grão e no brilho da superfície, e um pacote transparente mostra as 2 no corredor do mercado, sem abrir nada. O grão desta manhã foi escolhido para ensinar a ler a cor certa, e a ficha dele começa pelo que se vê através do plástico. Continue lendo ↓
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I O Grão do Dia
Um Catuaí que se mostra pelo plástico
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O grão do dia é um Catuaí Amarelo do Sul de Minas, cultivado a 1.100 metros de altitude. A colheita foi seletiva, só com os frutos maduros, e o processo é o natural (o fruto seca inteiro, com casca e polpa, antes de ser descascado).
O pacote é transparente, e a escolha tem motivo. Um torrador que mostra o grão está disposto a deixar o comprador julgar a cor antes de pagar. A embalagem opaca, sem janela, impede a mesma conferência.
Pelo plástico, o grão tem cor de canela, um marrom médio e uniforme. A superfície é seca e fosca, sem gota nem película brilhante. Os grãos têm tamanho parecido entre si, e quase não se vê grão manchado, quebrado ou mais claro que os vizinhos.
A uniformidade conta a história da colheita. Um lote catado maduro torra por igual, porque todos os grãos têm densidade e açúcar parecidos. Um lote com verde misturado mostra grãos mais claros no meio dos outros, porque o verde tem menos açúcar para caramelizar.
A ficha do lote, em números:
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A ficha do Catuaí Amarelo
| Variedade | Catuaí Amarelo |
| Origem | Sul de Minas |
| Altitude de cultivo | 1.100 metros |
| Colheita | seletiva, só frutos maduros |
| Processo | natural |
| Perfil de torra | média, cor de canela |
| Superfície do grão | seca, sem óleo |
| Data de torra | impressa no pacote |
| Faixa de preço do pacote de 250g | R$ 45 a R$ 65 |
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A data de torra impressa é o outro dado que o leitor pediu. Café torrado perde aroma com o tempo, e o pacote que só traz validade esconde quando o grão saiu do torrador. Para filtrado, o grão costuma estar no auge entre 1 e 4 semanas depois da torra.
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Grão fosco e cor de canela mostram o que o lote tem; grão preto e brilhante mostra só a torra.
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Na xícara, corpo médio, acidez delicada e doçura de rapadura. Notas de rapadura, laranja e castanha, com final limpo. A laranja só aparece porque a torra parou cedo: num grau mais escuro, o ácido que dá a fruta se desfaz no calor.
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II Como Preparar
Um coador para a doçura aparecer
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O preparo escolhido é o coador V60 (o funil de cerâmica ou plástico com espiral por dentro, criado pela japonesa Hario): 15 gramas de café, 250 mililitros de água a 93 graus e moagem média.
A escolha tem motivo. O filtro de papel segura os óleos e deixa a bebida limpa, e a limpeza deixa a laranja e a rapadura à vista. Com um extraforte no mesmo coador, o papel não salvaria nada: o gosto queimado já está dissolvido na água.
A ficha do preparo:
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A ficha do Catuaí Amarelo
| Café | 15g, moído na hora |
| Água | 250ml, filtrada, a 93 graus |
| Proporção | 1 para 16, em peso |
| Moagem | média, parecida com açúcar cristal |
| Método | coador V60 com filtro de papel |
| Tempo total | cerca de 3 minutos |
| Rendimento | 1 caneca de cerca de 220ml |
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| 1 Ferva a água e deixe descansar 30 segundos fora do fogo para chegar perto dos 93 graus. |
| 2 Molhe o filtro de papel com água quente e descarte essa água. |
| 3 Coloque os 15g de café e despeje 30ml de água, só para molhar o pó por inteiro. |
| 4 Espere 30 segundos, o tempo de o gás preso no grão escapar. |
| 5 Despeje o resto da água em círculos lentos, do centro para fora, até completar 250ml. |
O passo 4 tem nome no ofício: pré-infusão (a primeira água que só molha o pó e deixa o gás sair). Grão de torra recente solta muito gás carbônico, e o pó estufa como bolo. Sem a pausa, o gás empurra a água para longe do café.
A estufada também serve de teste de frescor. Se o pó não cresce nada, o grão foi torrado há muito tempo, e a data no pacote confirma.
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Pó que estufa no coador é grão fresco; pó que afunda calado é grão que já perdeu o aroma.
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Se a bebida sair rala, aperte a moagem um ponto. Se sair amarga ou seca na boca, deixe a moagem um pouco mais grossa. Com café de torra escura, baixe a água para cerca de 88 graus, porque o grão queimado solta amargo depressa.
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