A resposta de ontem Que frase está na placa da porta do Café de l'Ambre? A placa diz Coffee Only, ou seja, só café. Ichiro Sekiguchi definiu o Café de l'Ambre como casa de uma bebida só: no balcão de Ginza não há sanduíche nem refeição, e o cardápio lista apenas cafés coados na flanela, dos lotes do ano aos envelhecidos por décadas, além do Blanc et Noir. |
O grão do dia é um café do planalto de Gayo, em Aceh, no extremo norte de Sumatra, na Indonésia, beneficiado em giling basah (o descascamento do grão ainda úmido) e torrado até o ponto médio escuro, quando o óleo começa a brilhar na superfície.
As lavouras ficam entre 1.200 e 1.600 metros, em volta do lago Laut Tawar, perto da cidade de Takengon. Quem planta são famílias do povo gayo, que cultivam café na região desde a época colonial holandesa.
No pé, as variedades mais comuns têm nomes locais. Ateng é a família do catimor (um cruzamento resistente à ferrugem das folhas). Tim Tim é o híbrido de Timor, vindo da ilha de mesmo nome. Abyssinia é um arábica antigo, trazido da Etiópia. Na saca, quase sempre chegam misturadas.
A mistura não atrapalha o perfil, porque o processo pesa mais que a variedade. Quem prova um Gayo e um Bourbon de Minas lado a lado percebe primeiro a textura: o de Sumatra encosta no céu da boca como leite integral, e o mineiro desce como suco.
A explicação mais aceita entre torradores está no caminho da semente. Descascada mole, ela perde a proteção cedo e seca exposta ao ar e ao sol. O grão incha, parte dos ácidos se perde antes da torra, e a torra encontra uma semente com menos acidez para mostrar e mais estrutura para dar peso.
A ficha do grão:
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A ficha do Gayo
| Origem | Gayo, Aceh (Sumatra) |
| Altitude | 1.200 a 1.600 metros |
| Processo | giling basah |
| Variedades | Ateng, Tim Tim, Abyssinia |
| Torra | média escura |
| Notas | cacau, cedro, especiarias |
| Pacote de 250g | R$ 60 a R$ 110 |
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A casca que sai cedo leva junto boa parte da acidez; o corpo fica no grão.
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Na prateleira, o nome Mandheling aparece mais que Gayo. Ele vem dos mandailing, povo do norte de Sumatra, e virou rótulo comercial para o café da região do lago Toba e de Lintong. Segue o mesmo método, com o perfil um pouco mais terroso.
Na compra, procure a data de torra e use o pacote entre 10 e 30 dias depois dela. Café de corpo pesado aguenta bem a terceira semana, e o aroma de cedro fica mais claro depois do descanso.
A moagem certa é grossa, parecida com açúcar cristal. O preparo do dia deixa o pó de molho na água por 4 minutos e pede um método que não tire o óleo da caneca.
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O preparo do dia usa a prensa francesa (o jarro de vidro com êmbolo e tela de metal). A tela segura o pó, mas deixa passar o óleo e as partículas finas que o filtro de papel prenderia, e são eles que levam o corpo do Gayo até a boca.
A receita leva 18 gramas de café para 300 gramas de água, um grama de pó para cada 16,7 de água, e rende uma caneca de cerca de 270 gramas.
A temperatura desce um pouco em relação ao coado. Café de acidez baixa e torra média escura solta os sabores rápido; com água a 92 graus, o amargor do cacau fica no lugar e não vira gosto de queimado.
A ficha do preparo:
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A ficha do preparo
| Café | 18g, moagem grossa |
| Água | 300g, a 92 graus |
| Relação | 1g para 16,7g |
| Método | prensa francesa |
| Tempo total | 4min |
| Bebida | cerca de 270g |
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1 Aqueça a prensa vazia com água quente por 1 minuto e descarte essa água.
2 Coloque os 18g de pó no jarro e zere a balança.
3 Despeje os 300g de água a 92 graus de uma vez, molhando todo o pó.
4 Mexa 3 vezes com uma colher, tampe sem baixar o êmbolo e conte 4 minutos.
5 Quebre a crosta da superfície com a colher e retire a espuma com a borra que boia.
6 Desça o êmbolo devagar, até encostar no café, sem forçar o fundo.
7 Sirva tudo de uma vez, sem deixar café parado na prensa.
O passo 5 vem do ofício da prova: a crosta é a camada de pó que sobe e flutua, e a retirada leva junto boa parte das partículas finas que deixariam a caneca turva.
O passo 7 importa porque a prensa não para de extrair. O café que fica no jarro continua em contato com o pó do fundo e endurece em poucos minutos.
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Na prensa, a tela de metal deixa passar o óleo que o papel seguraria.
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Se a caneca sair rala, moa um ponto mais fino ou suba para 20 gramas de pó. Se sair amarga e áspera, a moagem está fina demais e o pó atravessa a tela.
Quem prefere coar pode usar o coador de papel com 15 gramas para 250 de água, mas o corpo fica bem mais leve. O Gayo rende o melhor dele na tela de metal.
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