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A patente de Attilio Calimani foi registrada em 1929, em Milão, em parceria com Giulio Moneta. O desenho descrevia uma jarra cilíndrica e um êmbolo com tela presa por uma mola em espiral, encostada na parede de vidro para vedar a borda.
A mola foi o detalhe decisivo. Ela empurrava a tela contra o vidro em toda a volta, e a borra ficava presa embaixo do êmbolo, sem escapar pelos lados como acontecia com a peça de Paris.
O aparelho, porém, não virou sucesso de imediato. A Itália da época bebia café de cafeteira moka, e a jarra de Calimani ficou como curiosidade de catálogo durante quase 30 anos.
A forma de hoje veio em 1958. Faliero Bondanini, outro italiano, registrou uma versão refinada da prensa, com armação de metal envolvendo o vidro e um filtro de várias camadas mais fácil de desmontar.
A produção foi para a França. Uma fábrica francesa de utensílios de cozinha, a Martin SA, passou a fazer o aparelho com o nome de Chambord, o mesmo do castelo renascentista do Vale do Loire. Foi assim, pela fábrica e pelo nome, que a prensa ganhou passaporte francês.
Em 1991, a dinamarquesa Bodum comprou a Martin SA e, com ela, o desenho do Chambord. A peça segue em linha até hoje, praticamente igual ao modelo do registro de 1958, com a mesma armação de metal e a jarra de vidro.
No mundo de língua inglesa, o aparelho tem outros nomes: cafetière no Reino Unido, french press nos Estados Unidos. Na França, muita gente ainda chama de cafetière à piston, a cafeteira de êmbolo.
Não se sabe ao certo quantas versões intermediárias existiram entre 1929 e 1958. Há registros de pequenas variações em patentes italianas e francesas, mas nenhuma delas chegou ao balcão com escala.
Na nossa opinião, a prensa vale pela simplicidade honesta: água, pó, tempo e uma tela. Nenhum papel decide o gosto no lugar de quem prepara.
Teste hoje: prepare 2 xícaras com o mesmo grão, 15g de pó para 250g de água. A primeira vai na prensa por 4 minutos; a segunda passa pelo filtro de papel. Deixe as 2 xícaras esfriarem 5 minutos e olhe a superfície contra a luz. A da prensa deve mostrar pontos de óleo brilhando; a do papel, uma superfície fosca.
Teste hoje: faça 2 xícaras com 15g de pó e 250g de água. A primeira, à moda antiga, ferve o pó por 1 minuto e vai para a xícara sem coar; a segunda passa pelo papel. Espere 3 minutos e vire o último gole de cada uma num pires branco. A fervida deve deixar uma camada escura cobrindo o fundo; a coada, nenhum grão visível.
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“Na sua casa, o café passa pelo papel ou pela tela de metal?”
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