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Esta pauta venceu a urna de 26/09.
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Por que o café do mundo se conta em sacas de 60 quilos
A medida saiu do Brasil. A Colômbia embarca 70 quilos, a América Central 69, e a OIC converte tudo antes de publicar.
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Sacas de juta à espera da balança
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Num armazém de Varginha, no sul de Minas, um carregador encosta o ombro numa pilha de sacos de juta e confere a etiqueta costurada na boca de cada um. Todos pesam igual: 60 quilos de café verde, já sem casca, prontos para o porto de Santos. A cena se repete em cooperativas de Franca, do Cerrado Mineiro e do Espírito Santo. O produtor vende em sacas, o corretor cota em sacas, o banco empresta contra sacas guardadas. Quando a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento, órgão federal que acompanha a safra) divulga a estimativa da colheita brasileira, o número também sai em milhões de sacas de 60 quilos. A surpresa aparece fora do país. Um lote colombiano chega ao porto em sacos de 70 quilos. Um lote da Guatemala ou de Honduras desembarca em sacos de 69. O Havaí embala em 100 libras, perto de 45 quilos. Cada origem manteve o costume dos seus armazéns, e ninguém no cais estranha a diferença entre um saco e outro. Mesmo assim, quando a OIC (Organização Internacional do Café, com sede em Londres) publica quanto o mundo produziu, exportou e bebeu, toda a conta aparece numa medida só: a saca de 60 quilos, a mesma do armazém de Varginha. A escolha tem história. O Brasil já dominava o comércio mundial de café quando os países produtores e consumidores sentaram para assinar o primeiro Acordo Internacional do Café, em 1962. A unidade de quem mais vendia virou a unidade da estatística, e nunca mais saiu dela. Para o café que chega à sua xícara, a medida parece distante. Ela pesa, porém, no preço do pacote, na cotação da bolsa e até no jeito de pesar a dose de cada manhã. O lote de hoje saiu de uma fazenda que vende tudo nessa medida, e a ficha dele começa pela saca. Continue lendo ↓
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I O Grão do Dia
Um Mundo Novo da Alta Mogiana pesado em saca
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O grão do dia é um Mundo Novo da Alta Mogiana, região de Franca, no nordeste de São Paulo, cultivado a 1.100 metros e pontuado em 84 na prova de xícara da SCA (Specialty Coffee Association, a associação internacional de cafés especiais). Secou como natural, com a cereja inteira ao sol.
A fazenda vende a colheita em sacas de 60 quilos de café beneficiado (grão verde, já separado da casca e do pergaminho). Um pacote de 250 gramas torrado é uma fração pequena de uma dessas sacas, e o preço dele carrega a cotação dela.
A ficha do lote, em números:
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A ficha do Mundo Novo da Alta Mogiana
| Variedade | Mundo Novo, cruzamento natural de Sumatra com Bourbon Vermelho |
| Origem | Alta Mogiana, região de Franca, São Paulo |
| Altitude de cultivo | 1.100 metros |
| Colheita | mecanizada com repasse manual |
| Processo | natural, secagem em terreiro de concreto |
| Nota na prova da SCA | 84 pontos |
| Perfil de torra | média |
| Faixa de preço do pacote de 250g | R$ 45 a R$ 60 |
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O Mundo Novo nasceu de um cruzamento espontâneo entre Sumatra e Bourbon Vermelho, achado em lavouras de Mineiros do Tietê, no interior paulista, nos anos 1940. O Instituto Agronômico de Campinas selecionou as melhores plantas e lançou a variedade para os produtores em 1952.
A planta é vigorosa, alta e produtiva, e ajudou a encher muitas das sacas que fizeram do Brasil o maior exportador do mundo. Na xícara, costuma dar corpo cheio e doçura de chocolate, o perfil que o mercado passou a chamar de café brasileiro.
A Alta Mogiana tem noites frescas e inverno seco, o que favorece a secagem natural sem fermentação fora de controle. O terreiro de concreto esquenta rápido ao sol, e o produtor revolve o café várias vezes por dia para secar por igual.
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Uma saca de 60 quilos de café verde perde perto de um quinto do peso no torrador. O pacote que chega à cozinha é o que sobrou dessa água.
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A perda vem da umidade. O grão verde sai do terreiro com entre 8% e 12,5% de água, a faixa que a OIC fixou em 2002 na Resolução 420 para o café exportável, e deixa quase toda ela no calor da torra.
Na xícara, um café de corpo cheio, acidez baixa e doçura de caramelo. Notas de chocolate amargo, castanha-do-pará e rapadura, no pacote de 250g entre R$ 45 e R$ 60.
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II Como Preparar
Uma prensa francesa acertada na balança
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O preparo de hoje é a prensa francesa, jarra de vidro com um êmbolo de tela metálica: 18 gramas de café, 300 mililitros de água a 94 graus, moagem grossa e quatro minutos de infusão antes de baixar o êmbolo.
A prensa combina com o Mundo Novo porque a tela deixa passar os óleos do café, e o corpo cheio do lote aparece inteiro. O filtro de papel seguraria parte desses óleos e deixaria a bebida mais leve.
A ficha do preparo:
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A ficha da prensa francesa
| Café | 18g, moído na hora |
| Água | 300ml, filtrada, a 94 graus |
| Proporção | cerca de 1 para 16, em peso |
| Moagem | grossa, parecida com açúcar cristal graúdo |
| Método | prensa francesa de vidro |
| Tempo | 4 minutos de infusão |
| Rendimento | 1 caneca grande de cerca de 280ml |
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| 1 Aqueça a jarra com água quente e descarte. |
| 2 Coloque a jarra vazia na balança, zere e pese 18g de café moído grosso. |
| 3 Zere de novo e despeje 300ml de água, molhando todo o pó. |
| 4 Mexa três vezes com uma colher e tampe, com o êmbolo levantado. |
| 5 Espere 4 minutos, quebre a crosta da superfície e retire a espuma. |
| 6 Baixe o êmbolo devagar e sirva logo, sem deixar o café parado na jarra. |
A balança resolve no preparo a mesma briga que a saca resolveu no comércio. Uma colher de café moído grosso pesa bem menos que uma colher de moído fino, porque o pó grosso deixa mais ar entre as partículas. Medir em gramas tira a moagem da conta.
O volume também engana. Uma xícara de chá, um copo americano e uma caneca não guardam a mesma água, e a receita escrita em xícaras muda de cozinha para cozinha. Em mililitros, pesados na balança, a proporção de 1 para 16 vale em qualquer casa.
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No comércio e na cozinha, quem pesa não precisa adivinhar: a saca e a balança fazem o trabalho de traduzir.
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Se a xícara sair rala e azeda, afine um pouco a moagem ou deixe cinco minutos. Se sair amarga e barrenta, engrosse a moagem e sirva assim que baixar o êmbolo, porque o pó continua extraindo enquanto fica no fundo da jarra.
A espuma retirada no passo 5 leva junto a maior parte das partículas finas que boiam. Sem ela, a última golada da caneca sai limpa, sem a borra que costuma estragar o café de prensa.
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