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O grão do dia é um Sacramento MG1 de pequeno produtor do Alto Paranaíba, em Minas Gerais, colhido em ponto passa e comprado direto de quem planta.
O nome não é do produtor nem da fazenda. Sacramento é uma cidade mineira do Alto Paranaíba, perto da Serra da Canastra, e a cultivar carrega o nome dela.
Quem batizou foi a EPAMIG, a empresa de pesquisa agropecuária do estado, que deu nome de município a uma família inteira de plantas: Araponga, Catiguá, Pau Brasil e Sacramento.
A planta saiu do cruzamento entre o Catuaí Amarelo e o Híbrido de Timor. Do Catuaí veio o açúcar e o porte baixo; do Híbrido de Timor veio a resistência à ferrugem, a doença que fura a folha e derruba a safra.
Híbrido de Timor é um cruzamento natural entre o arábica e o robusta, achado na ilha de Timor no século passado e usado desde então como fonte de resistência.
A lavoura fica a pouco mais de 1.100 metros, na chapada do Cerrado Mineiro, com solo profundo e estação seca marcada de maio a setembro. O sol firme na colheita permite o resto.
O produtor deixou o talhão passar do ponto de cereja. São de quinze a vinte dias a mais na planta, com o fruto perdendo água, a casca escurecendo e a pele enrugando de vez.
A cereja cheia chega ao terreiro com perto de 60% de umidade. A passa chega entre 35% e 40%, porque metade do trabalho de secagem já aconteceu pendurada no galho.
A diferença aparece no beneficiamento, o maquinário que descasca o fruto seco e libera o grão verde. Onde a cereja fecha perto de seis quilos de fruto por quilo de grão, a passa fecha perto de quatro.
Colher a dedo numa passada só quer dizer esperar a lavoura chegar junta ao ponto e tirar tudo de uma vez, com a mão fechando no galho e o pano estendido embaixo.
A aposta tem prazo curto. Passado o ponto, um vento forte ou uma chuva fora de hora derruba o fruto no chão, e café varrido do terreno chega ao copo com gosto de terra.
No terreiro o fruto vai inteiro, sem lavar e sem descascar, que é o que a palavra natural quer dizer no rótulo. A polpa seca agarrada à semente e empurra açúcar para dentro.
Como o lote já entrou meio seco, a camada fina precisa de oito a doze dias para chegar aos 11% de umidade, com rodo várias vezes ao dia e lona antes do sereno.
Depois vem o descanso na tulha, o compartimento de madeira onde o lote iguala a umidade por dentro antes de descascar.
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Quinze dias a mais na planta, e metade da secagem já aconteceu no galho.
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Na xícara o Sacramento MG1 em ponto passa abre em figo seco, mostra ameixa no meio e fecha em cacau, com corpo alto e acidez baixa. Notas de figo seco, ameixa e cacau. Faixa de preço dos 250g comprados direto do produtor: R$ 62 a R$ 95.
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