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15ª pauta escolhida pelos leitores na urna de 29/09.
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Os 13 clones que o Incaper plantou juntos para o conilon dar café
Em 2004, a Vitória Incaper 8142 resolveu um defeito do conilon: a flor recusa o pólen da própria planta.
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Pés de conilon em flor numa lavoura capixaba
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Em 2004, o Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) lançou a Vitória Incaper 8142, uma variedade de conilon formada por 13 clones. Nos ensaios divulgados pelo instituto no lançamento, a média passou de 70 sacas beneficiadas por hectare, e a condição para chegar lá estava escrita na recomendação: os 13 precisam crescer na mesma lavoura. O conilon é o nome que o Espírito Santo deu a uma forma da espécie Coffea canephora, a mesma família de cafés que o mercado chama de robusta. O estado é o maior produtor de conilon do Brasil, e quase todo esse café nasce em terra baixa e quente, onde o arábica sofre. As duas espécies se reproduzem de jeitos opostos. O arábica é autógamo (a flor se fecunda com o próprio pólen): um pé isolado no quintal floresce e dá fruto. O conilon é autoincompatível (a flor recusa o pólen da mesma planta e o de plantas geneticamente iguais a ela). Sem pólen de outro indivíduo, a flor seca e cai. Durante décadas, o defeito ficou escondido porque as lavouras capixabas vinham de semente. Cada semente gera uma planta diferente, e uma lavoura seminal (plantada de semente) tem milhares de indivíduos distintos trocando pólen entre si. A polinização acontecia sozinha, pelo vento e pelas abelhas. O preço dessa diversidade aparecia na colheita. Num mesmo talhão, havia pé que madurava cedo e pé que madurava tarde, pé carregado e pé quase vazio, grão graúdo e grão miúdo. O produtor colhia tudo junto, e a xícara saía irregular. A saída óbvia era a clonagem: escolher os melhores pés e multiplicá-los por estaca (um pedaço de ramo que enraíza e vira planta nova, idêntica à mãe). O problema é que uma lavoura de um clone só equivale, para a flor, a uma única planta gigante. Floresce inteira e não segura fruto. O grão desta manhã vem de uma lavoura montada com a resposta do Incaper, e a ficha dele mostra o que um conilon bem colhido entrega na xícara. Continue lendo ↓
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I O Grão do Dia
Um conilon colhido como café especial
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O grão do dia é um conilon da Vitória Incaper 8142, de Vila Valério, no noroeste do Espírito Santo, cultivado a 200 metros de altitude. A colheita foi manual e seletiva, só com os frutos maduros, e o processo é o natural (o fruto seca inteiro, com casca e polpa, antes de ser descascado).
A escolha da região tem motivo. O noroeste capixaba é quente e tem um período seco bem marcado no inverno. A primeira chuva forte depois da seca dispara a florada, e todos os pés da lavoura abrem flor quase juntos. Para uma variedade de 13 clones, a sincronia vale ouro: o pólen de um clone encontra a flor aberta do vizinho.
Durante muito tempo, o conilon foi vendido só como café de mistura. Entrava no blend do supermercado para dar corpo e baratear o pacote, e o produtor era pago pelo peso, sem ninguém provar a xícara. A colheita era feita por derriça (arrancar todos os frutos do galho de uma vez), com verde, maduro e seco no mesmo pano.
A mudança veio com o protocolo Fine Robusta (a prova de xícara feita para o canephora), criado pelo CQI (Coffee Quality Institute, o instituto americano que treina provadores). A escala vai de 0 a 100, e a partir de 80 pontos o lote entra na categoria de robusta fino, o equivalente ao café especial do arábica.
A ficha do lote, em números:
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A ficha do conilon de Vila Valério
| Variedade | Vitória Incaper 8142, conilon |
| Origem | Vila Valério, noroeste do Espírito Santo |
| Altitude de cultivo | 200 metros |
| Colheita | manual, seletiva, só frutos maduros |
| Processo | natural |
| Secagem | terreiro suspenso, até 11% de umidade |
| Nota no protocolo Fine Robusta | 84 pontos |
| Perfil de torra | média |
| Faixa de preço do pacote de 250g | R$ 40 a R$ 60 |
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O terreiro suspenso (uma mesa de tela erguida do chão) deixa o ar passar por baixo dos frutos. O café seca por igual, sem contato com a terra, e o risco de fermentação errada cai. É a etapa que separa o natural limpo do natural com gosto de mofo.
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Conilon de mistura se vende no peso; o de 84 pontos se vende na xícara.
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Na xícara, corpo denso, acidez baixa e doçura de rapadura. Notas de chocolate amargo, rapadura e castanha, com final longo. O canephora tem mais cafeína que o arábica, e o amargor dela aparece no fim do gole, firme e sem aspereza quando o grão foi colhido maduro.
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II Como Preparar
Uma moka para o corpo do conilon
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O preparo escolhido é a cafeteira italiana, a moka (o bule de alumínio em 3 partes que empurra a água quente pelo café com a pressão do vapor): 15 gramas de café, 150 mililitros de água, moagem fina e fogo baixo.
A escolha tem motivo. A moka extrai uma bebida curta e concentrada, que valoriza o que o conilon tem de mais forte: o corpo e o chocolate. Num coador de papel, o mesmo grão sairia ralo, porque o papel segura os óleos que dão textura ao canephora.
A ficha do preparo:
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A ficha da moka
| Café | 15g, moído na hora |
| Água | 150ml, filtrada, já quente |
| Proporção | 1 para 10, em peso |
| Moagem | fina, parecida com sal refinado |
| Método | cafeteira italiana (moka) |
| Tempo | cerca de 4 minutos no fogo |
| Rendimento | 2 xícaras pequenas de cerca de 60ml |
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| 1 Aqueça a água numa chaleira e despeje na base da moka até logo abaixo da válvula. |
| 2 Encha o funil com os 15g de café, nivele com o dedo e não aperte o pó. |
| 3 Rosqueie a parte de cima segurando a base com um pano, porque o metal já está quente. |
| 4 Leve ao fogo baixo com a tampa aberta e acompanhe a subida do café. |
| 5 Quando o fluxo clarear e começar o chiado, tire do fogo e passe a base sob água fria. |
A água quente do passo 1 tem razão de ser. Com água fria, a moka passa mais tempo no fogo, o metal esquenta demais e o pó cozinha antes de a água subir. O resultado é um amargor de queimado que esconde a rapadura.
O chiado do passo 5 avisa o fim. Ele significa que a água da base acabou e o vapor começou a passar sozinho pelo pó, extraindo só o que amarga. Esfriar a base corta a pressão na hora.
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Água quente na base, pó solto no funil e moka fora do fogo ao primeiro chiado.
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Se a bebida sair rala, aperte a moagem um ponto. Se sair amarga, deixe a moagem um pouco mais grossa e baixe o fogo. Depois do uso, lave só com água, sem sabão e sem esfregar o alumínio por dentro.
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